22 de out. de 2010



"― Me dá um cigarro?
 
A voz era sumida, quase um sussurro. Permaneci na mesma posição em que me encontrava, frente ao mar, absorvido com ridículas lembranças.

O importuno pedinte insistia:

― Moço, oh! moço! Moço, me dá um cigarro?

Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:

― Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.

― Está bem moço. Não se zangue. E, por favor, saia da minha frente, que eu também gosto de ver o mar.

Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé. 

Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento..." 

(trecho de Teleco, o Coelhinho, de Murilo Rubião)