26 de out. de 2010
22 de out. de 2010
"― Me dá um cigarro?
A voz era sumida, quase um sussurro. Permaneci na mesma posição em que me encontrava, frente ao mar, absorvido com ridículas lembranças. O importuno pedinte insistia:
― Moço, oh! moço! Moço, me dá um cigarro?
Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:
― Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.
― Está bem moço. Não se zangue. E, por favor, saia da minha frente, que eu também gosto de ver o mar.
Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé.
Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento..."
(trecho de Teleco, o Coelhinho, de Murilo Rubião)
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