20 de jul. de 2010

Ça sert à quoi


Ça sert à quoi, à quoi tout ça
Ce beau jardin si tu n'le vois pas
Pour qui pour quoi toutes ces fleurs
Autour de toi
Ça sert à quoi, à quoi dis-moi
Si t'as le monde rien que pour toi
Ça sert à quoi si ça ne sert à rien
Ce que l'on a
"Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo, mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida." 
(Machado de Assis, Quincas Borba)

 
“ (...) e assim, involuntariamente, nos mais diversos momentos, ao andar pela estrada de Bropton, ou ao escovar os cabelos, ela se via pintando esse quadro, passando os olhos por ele, ou tentando desatar esse nó na sua imaginação. Mas havia uma enorme diferença entre conjecturar planos no ar, longe da tela, e efetivamente pegar o pincel e dar o primeiro toque”
(Virginia Woolf, Ao Farol)

9 de jul. de 2010

"Isso faz 24 anos, e, mesmo assim, sempre que penso naquele momento em que, chicoteada pela ironia dele, fiquei exposta diante de mil pessoas estranhas, ainda sinto o sangue congelar nas veias. E volto a sentir, assustada, uma substância fraca, rala e gelatinosa que deve existir, isso que fanfarronando chamamos alma, espírito, emoção, o que chamamos dores, pois tudo isso, mesmo desmedido, não consegue rebentar inteiramente o corpo torturado - porque a gente supera essas horas com o sangue que continua a pulsar, em vez de morrer e tombar como uma árvore atingida por um raio. Só por um instante essa dor atravessou minhas juntas, fazendo-me cair sobre aquele banco sufocada, embotada e com uma sensação quase prazerosa de ter de morrer. Mas, como acabei de dizer, toda dor é covarde, recua diante do chamado mais forte da vida, mais solidamente instalada em nossa carne do que toda a paixão que nosso espírito possa ter pela morte. Eu mesma não entendo, depois de ter esmagados os meus sentimentos: mas sim, eu me levantei de novo, naturalmente sem saber o que fazer."
( Stefan Zweig, 24 horas na vida de uma mulher)