23 de jul. de 2010

O último pôr do sol





A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois.

Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz lembrando nós dois

Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas

Pois no dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu

Uma árvore sem folhas e galhos ainda é considerada uma árvore?

"Uma árvore sem folhas e galhos ainda é considerada uma árvore? O coração morre lentamente, perdendo as esperanças como folhas. Até que, um dia, nada resta. Nenhuma esperança. Não resta nada.
(...)
Ela se pinta para esconder o seu rosto. Seus olhos são águas profundas. O resto é escuridão. O resto é segredo.
(...)
Não podemos pedir ao sol, mais sol.
Nem à chuva, menos chuva.
Mesmo assim, conhecer a bondade, depois de tanta maldade, ver que uma menina mais corajosa do que ela imaginava teria suas preces atendidas…
Isso não é o que chamamos de felicidade?
Afinal, estas não são as memórias de uma Imperatriz, nem de uma Rainha. Estas são memórias de um outro tipo”
(Trecho do filme Memórias de uma Gueixa)


                             (Gustav Klimt, The Tree of Life, 1909)

20 de jul. de 2010

Ça sert à quoi


Ça sert à quoi, à quoi tout ça
Ce beau jardin si tu n'le vois pas
Pour qui pour quoi toutes ces fleurs
Autour de toi
Ça sert à quoi, à quoi dis-moi
Si t'as le monde rien que pour toi
Ça sert à quoi si ça ne sert à rien
Ce que l'on a
"Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo, mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida." 
(Machado de Assis, Quincas Borba)