13 de set. de 2010

"Devia ser sábado, passava da meia-noite.
Ele sorriu para mim. E perguntou:
-Você vai para a Liberdade?
-Não, eu vou para o Paraíso. Ele sentou-se ao meu lado. E disse:
-Então eu vou com você." 
(C. F. Abreu, in Onde andará Dulce Veiga)

                                            (Van Gogh, Starry night over Rhone)

3 de set. de 2010

                                              (Gustav Klimt, Musik I, 1895)

"(...) A explicação de nós, do que fazemos e vivemos, é tão ridícula. No fim de contas apenas constatamos. Mas inventar o porquê, formular uma lei dá-nos a pequena ilusão de dominarmos o desconhecido. Não dominamos nada: conhecemos apenas a nossa fatalidade.
- A vida é estúpida, Ema, não tem "porquê". Os atos essenciais da vida realizamos com os olhos fechados: o prazer da boa música, ou da boa mesa, ou o prazer amoroso, ou a união com Deus. Até mesmo, se quiser, o próprio "descomer". Tudo o que é essencial é cego. Fechamos sempre os olhos. É por isso que no-los fecham quando morremos, se os deixamos abertos. (...)"
(Vergílio Ferreira, Alegria Breve)

27 de ago. de 2010

São coisas da vida



Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde
Mas a noite é uma criança distraída
Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano
Nessas horas de partida
É o fim da picada
Depois da estrada começa
Uma grande avenida
No fim da avenida
Existe uma chance, uma sorte
Uma nova saída
Qual é a moral?
Qual vai ser o final
Dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer
Por isso eu digo
Que eu não tenho muito o que perder
Por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer
Por isso sonho
...
São coisas da vida
E a gente se olha, e não sabe
Se vai ou se fica