7 de nov. de 2010

com um sopro de selva


"Chamo-me Eva Luna, que quer dizer vida (...) Nasci no quarto dos fundos de uma casa sombria e cresci entre móveis antigos, livros em latim e múmias humanas, mas isso não me tornou melancólica, porque vim ao mundo com um sopro de selva na memória."
(Isabel Allende, Eva Luna)

22 de out. de 2010



"― Me dá um cigarro?
 
A voz era sumida, quase um sussurro. Permaneci na mesma posição em que me encontrava, frente ao mar, absorvido com ridículas lembranças.

O importuno pedinte insistia:

― Moço, oh! moço! Moço, me dá um cigarro?

Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:

― Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.

― Está bem moço. Não se zangue. E, por favor, saia da minha frente, que eu também gosto de ver o mar.

Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé. 

Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento..." 

(trecho de Teleco, o Coelhinho, de Murilo Rubião)