13 de nov. de 2009

os últimos que vi







E, como era de um costume meu,
sentei no capim, para ver o resto do sol se esconder.
E, por causa do cheiro da terra, a mulher
(caroço de manga) deitou-se e sonhou...
Estava plantada, com corpo caroço de manga.
Nasceu. Cana caiana, adocicada.
Dançava com os gestos da brisa,
lambida toda
do verde canavial.
Só que tinha os olhos tristes,
molhados, e não era de orvalho,
pois que eram lágrimas.
Seria levada à moenda,
em carro de boi, de boi de canga,
e lá, espremida, esbagaçada,
dela o que restaria?
Só bagaço? Não! Veriam:
o seu caldo teria os gostos,
vez do caju,
vez do araçá,
vez da pitanga!

(Rita Brennand)

12 de nov. de 2009



"Durante os primeiros poucos dias naquele lugar estranho, não me teria sentido pior se tivesse perdido braços e pernas em lugar de casa e família. Não tinha dúvida de que a vida jamais seria a mesma. Só conseguia pensar em minha própria confusão e infelicidade. {…} Eu estava sem pai, sem mãe ─ até sem a roupa que sempre usara. Mas de alguma forma, a coisa que mais me espantara, depois de uma semana ou duas, foi que na verdade eu tinha sobrevivido. Lembro-me de um momento em que secava tigelas de arroz na cozinha, e de repente me senti tão desorientada que tive de interromper o que fazia e fitar minhas mãos por longo tempo; pois quase não podia acreditar que aquela pessoa secando tigelas era realmente eu”

Arthur Golden in Memórias de uma Gueixa

29 de out. de 2009

Je suis perdu



Que voy a hacer
Je ne sais pas
Que voy a hacer
Je ne sais plus
Que voy a hacer
Je suis perdu
Que horas son, mi corazón